Viver em Alta
Depois de 6 anos a habitar junto ao Colombo e a conviver com os dias de futebol, com a Feira da Luz, com as noitadas dos 'teens' no café da esquina, com paisagem de betão, com a ausência de garagem, com uma construção de qualidade ambígua, com um sistema de extracção de ar absurdo, com divisões de 3 por 3 e com a inexistência de espaços de arrumação, decidimos procurar alternativas.
Começámos pelos empreendimentos em curso na zona - seria interessante, por razões diversas, dar o desejadado salto sem no entanto abdicar dos aspectos positivos da localização, nomeadamente a proximidade dos familiares, uma boa cobertura de transportes públicos e a diversidade da oferta de entretenimento e lazer.
No entanto, a par do reduzido número de iniciativas de construção, constatámos uma persistente ausência de preocupação dos construtores, projectistas e entidades com questões como a arquitectura, o enquadramento e o paisagismo, numa lógica orientada para a maximização do retorno, geradora de soluções urbanísticas chocantes, mais próximas de contentores do que de edificações humanizadas e humanizadoras.
Ouvimos os vendedores colmatar estas lacunas com os argumentos do conforto, da sofisticação, da tecnologia e do luxo, patentes no mármore do hall, nas madeiras da cozinha, nas louças das casas de banho e na solução engenhosa de aspiração central. Vendo bem as coisas, um jardim até é uma fonte de problemas, com as árvores a rasgar o asfalto e a sujar o chão, a atraír os cães e, sobretudo, a servir os propósitos dos marginais. O investimento, dizem-nos, está bem melhor protegido se for direitinho para a nossa fracção...mais concretamente para a abertura eléctrica dos estores e para a banheira de hidromassagem da suite.
Multiplicam-se, assim, os prédios de 'prestígio', em lugares improváveis, com vista para outros do mesmo estilo, servidos por vias de largura mínima onde estacionar é uma figura de estilo e as zonas verdes se resumem às ervas que crescem por entre as pedras da calçada.
Tendo por pano de fundo esta realidade desconcertante acabámos por nem estranhar os preços proibitivos - se tudo o mais é irreal, porque não os preços?
Desiludidos com o panorama, alargámos o nosso âmbito de pesquisa e passámos, inclusivé, a admitir a hipótese de abandonar a zona de origem, cortar com a Lisboa de Monsanto e abdicar do conforto, das rotinas e das histórias dos lugares conhecidos.
É assim que surge a Alta de Lisboa.
Já conhecíamos o projecto, já tínhamos visitado, em ocasiões diversas, o stand de vendas, mas sempre nos pareceu uma opção pelo incerto, pelo invisível. Todo o conceito se nos apresentava demasiado abstracto. Não nos era fácil perceber a dimensão do investimento, financeiro e temporal, nem o retorno associado. Invariavelmente, chegámos à conclusão de que não era razoável abdicar do certo por um projecto que nos colocava tantas incertezas.
Agora, no entanto, com a vida estabilizada e necessidades bem definidas, a realidade era outra. Uma nova visita ao stand de vendas veio revelar que também a Alta de Lisboa tinha mudado - no lugar das máquinas pesadas e do vazio, erguiam-se prédios e abriam-se estradas. A partir do construído era já possível perceber o todo e as incertezas de outras visitas foram-se esbatendo. Os transportes já entram na zona de intervenção e as estações de metro não estão longe. O eixo Norte-Sul cresce à vista desarmada e as obras prosseguem na zona desportiva. Os parques programados vão ganhando forma, já se veêm muitas casas habitadas e o comércio, ainda que timidamente, vai-se instalando.
No stand, o vendedor mostra-nos o que está disponível. É pouco mas ainda há algo que nos serve. Visitamos o andar modelo - é uma hipótese. Há possibilidade de reserva? "Sim. 3/4 dias, para pensar". É cedo para a reserva mas vamos pensar.
Já vamos embora, trocamos impressões, paramos frente ao prédio, mais argumentos, a dúvida "E se alguém fica com ele? E se pudesse ter sido nosso e já não pode?" - a pergunta decide-nos. Voltamos para trás, abordamos o vendedor, "Queremos reservar!".
Nos 4 dias seguintes descartam-se alternativas e reveêm-se argumentos. Consultam-se os pais, visita-se novamente o andar modelo. As simulações do banco não dizem que não e nós estamos cada vez mais convictos que sim. Será que é possível? Será que é mesmo possível?
O futuro o dirá. Vamos avançar!

Pode-me enviar o seu e-mail para condominio.torre@gmail.com?
Obrigado. (Comentar)
Disseram-me que fica junto do antigo bairro da musgueira, que fica ao lado de um bairro social. Pode me confirmar??
Obrigado (Comentar)